Pet Friendly | uma sugestão para conhecerem a Bairrada na companhia dos amigos de quatro patas

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Como já devem ter reparado, andar a lourear a pevide é um dos hobbies que cá por casa mais amamos. O que há para não gostar em passear, conhecer novos sítios, novas pessoas, descobrir um pouco de história, desanuviar a cabeça? Pois, a resposta é simples. Sempre que podemos, pegamos no carro e perdemo-nos. 

Contudo, no ano passado a logística tornou-se um pouco mais complicada e deixámos de poder simplesmente à última da hora fazer acontecer. É verdade, com a entrada da cãomiúda nas nossas vidas, muita coisa teve de ser repensada. Viajar com cães, mesmo que seja uma escapadinha, não é fácil. Apesar de o sector do turismo, especialmente no que toca ao alojamento, estar a mudar e estar mais atento à existência de novas formas de família, a verdade é que a oferta pet friendly continua a ser escassa. Por isso, hoje o post é dedicado a um sítio que acolheu tão bem, tão bem, tão bem a minha cãomiúda que merece todo o destaque aqui no blog.




No ano passado, quando a Baga terminou o plano de vacinas e já tinha carta-branca para explorar o mundo, rumámos até à Bairrada para descansar. Sabíamos que lá pelo meio queríamos passear no Parque Nacional do Buçaco, mas a ideia era encontrar um sítio onde pudéssemos essencialmente descansar e brincar muito, muito com a nossa cadelinha.

A pesquisa pet friendly eliminou a maior parte das ofertas de alojamento na bairrada, mas houve uma que sobressaiu. A Casa de Mogofores. Assim que olhei para as fotos do site apaixonei-me. Pensei: olha, aqui está a casa onde vou querer viver para sempre. Já devem ter percebido que tenho um fraquinho por casas com história, com idade para terem sido casas dos meus avós ou bisavós ou trisavós (e por aí fora), com charme.





A dois quilómetros de Anadia e a cerca de 25 da Praia de Mira, a Casa de Mogofores integra a rede de Solares de Portugal. Construída no século XIX, ainda hoje mantém o charme e a grandiosidade de tempos idos. Quando cheguei ao local, duvidei se tinham percebido que a nossa companhia era uma cadelinha, pequenina, reguila. Íamos mesmo ficar naquele casarão de sonho?

A resposta chegou em jeito de sorriso aberto e franco da proprietária, a Dona Glória, e pelo seu comentário: “Baga, como a casta?” Rimo-nos. De facto, a nossa cãomiúda foi buscar o nome à minha paixão por berries (mirtilos, framboesas, groselhas, amoras), mas a verdade é que ali estávamos na região da casta Baga, a respirar o ar puro de centenas e centenas de hectares de vinhas. Uma coincidência que só adensou a certeza que estávamos no sítio certo. A pensar na pequenita canina, foi-nos reservado um apartamento.











A Casa de Mogofores, que pertence ao grupo Campolargo Vinhos, divide-se entre o edifício principal e três apartamentos independentes. Um deles com pátio próprio, onde é possível soltar os animais de estimação. Caramba, isto sim é ser pet friendly. Foi a primeira vez que saímos com a nossa pequenita e não sentimos qualquer entrave ou constrangimento. Ela estava ali como se estivesse em casa. Os apartamentos da Casa de Mogofores, surgiram do aproveitamento de antigas dependências da propriedade. Cada um tem dois pisos, um quarto com WC completo, uma sala e uma kitchenette. Embora com uma decoração mais clássica, o apartamento onde ficámos hospedados proporcionava um ambiente acolhedor e prático.

Ainda hoje os pormenores me fazem recordar este passeio. Tínhamos uma grande jarra de flores campestres na sala, o sol quente de Junho entrava pela porta que dava para o pátio, o pátio rodeado por um muro branco repleto de flores vistosas. A cereja em cima do bolo, foi mesmo um tabuleiro com cerejas e natas ainda quentinhas. Uma oferta de boas-vindas.



Como se tudo isto não bastasse, a Casa de Mogofores tem uma piscina interior de sonho, que como devem calcular eu aproveitei, aproveitei e aproveitei. Adoro nadar, adoro piscinas. Sou uma espécie de criança assim que me acerco de água. De facto, a piscina da Casa de Mogofores tem um encanto muito natural. O pavilhão onde esta se encontra é todo envidraçado, o que confere ao espaço uma luz deslumbrante. No interior do espaço, uma escada em ferro que conduz a uma clarabóia antiga que remete para tempos idos. No exterior cheira a pinheiro, a verde, a vinhas, a passeios ao entardecer.

Nós ficámos rendidos ao espaço, ao conforto, à simpatia com que fomos recebidos. E a cãomiúda também. Esta só não aproveitou mais (e nós também não) porque decidiu que enjoava na viagem e infelizmente tivemos de passar parte do passeio nas urgências do Centro Veterinário de Anadia (obrigada Drª Rita Campos, por ter respondido a todas as nossas dúvidas). Um pequeno percalço num fim-de-semana fantástico. Sinceramente, a todas as pessoas que gostam de edifícios antigos e de passear com os seus melhores amigos de quatro patas, este sítio pode ser uma opção a ter em conta.




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Palitos de Cheddar

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Maio é um mês especial. Basta pensar que começa com uma das melhores celebrações do ano: o Dia da Mãe. A minha é tão especial, que lhe poderia dedicar um mês inteiro de celebrações. Muito do que eu sou hoje a ela o devo. Sei que isto pode parecer cliché, mas é a mais pura das verdades.

O meu gosto por puzzles vem dela, o meu gosto pela leitura vem dela, o meu gosto pelas actividades ao ar livre vem dela, o meu gosto por passear, o meu gosto pela liberdade. Sim, acho que tudo isto e muito mais vem dela, dos seus ensinamentos, das horas que “perdeu” a aturar as minhas birras, os meus desgostos ou as minhas vontades. Que aturou e ainda atura, porque uma vez mãe, mãe para sempre.



Por exemplo, este meu cantinho online vai buscar muita inspiração à minha mãe. Foi com ela que aprendi a gostar de juntar à mesa os familiares e amigos. Lembro-me dos banquetes que a minha mãe preparava, quase sem ajuda, para toda a família. Por mais que a casa fosse pequena ou velha, a verdade é que havia sempre espaço para mais um.

Portanto, apesar de filha única durante muitos e longos anos, a minha mãe nunca me deixou sentir sozinha. Antes pelo contrário, sempre me incentivou a encontrar um lugar rodeada de boas pessoas, sempre fomentou o lado social em mim. Mesmo que para isso me obrigasse a cantar nas enfermarias para os doentes acamados (coitados, eles não podiam fugir), ou me ralhasse cada vez que eu queria desistir de alguma coisa, ou me inscrevesse em concurso que eu detestava.

Graças a ela tenho este vício de nunca estar parada. Preciso de estar sempre envolvida em projectos, preciso de estar sempre a sonhar, preciso de saber que para a frente há muito caminho a desbravar.

Como sei que ela merece, pensei muito na prenda que lhe deveria dar no próximo domingo. (Não Mãe, não te vou dar um Neto. Podes sempre voltar a pedir isso ao Pai Natal). Vou dar-lhe tempo, com a família reunida, o campo como cenário, o ar livre como tela de sonhos e gargalhadas coletivas. Tal como o Agir diz (e a pequenita nos obriga a ouvir em loop): "Se o tempo é dinheiro eu vou gastá-lo contigo".

E, Mãe, como sei que adoras estes Palitos de Cheddar, talvez eles voltem a aparecer no piquenique.





Palitos de Cheddar

Ingredientes:
100g de farinha autolevedante
50g de margarina cortada aos cubos
80gr de cheddar (mature) picado finamente
1 ovo pequeno (m)
pimentapreta q.b.

Pré-aquecemos o forno a 180ºC. Peneiramos a farinha para dentro de uma taça. Adicionamos a manteiga e amassamos até obtermos uma consistência areada. Juntamos o queijo e voltamos a amassar. Batemos o ovo e adicionamos à massa. Voltamos a amassar até os elementos combinarem na perfeição. Estendemos a massa numa superfície plana e cortamos palitos estreitos com cerca de meio centimetro de espessura. Colocamos num tabuleiro forrado com papel vegetal e levamos ao forno durante cerca de 12 minutos ou até ficarem dourados. Se quiserem uns palitos mais estaladiços, a massa deve ser cortada com uma espessura mais fina.



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Nadar numa piscina exterior aquecida | Uma sugestão para aproveitarem o fim-de-semana prolongado (de Inverno?!)

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Dias de calor, braços ao léu, esplanadas cheias, flores a desabrochar por todo o lado e apetite por gelados bem fresquinhos. Têm sido estes os sinais claros de que a nova estação do ano já está a ocupar o seu espaço. Contudo, todos sabemos que a Primavera pode ser instável e caprichosa. Para provar isso mesmo, a Sô Dona Prima decidiu que precisamos de mais uns dias de Inverno, até para nos tirar a ideia de que já estava na altura de procurar as sandálias perdidas no fundo do armário.

Mas, atenção, não vale a pena ficarem deprimidos, nem voltarem a encafuarem-se dentro de casa. Principalmente quando está à porta um fim-de-semana (para muitos) prolongado. Talvez tenha solução perfeita para vos animar. O que acham de uma piscina ao ar livre que promete fazer-vos esquecer a diminuição da temperatura? E vocês dizem-me: Ana, estás tola, as temperaturas vão descer imenso, e vai nevar, e vai chover. Esqueçam lá isso. No Longroiva Hotel & Termal SPA, nada disso vai ter importância.





Na semana passada partilhei uma sugestão de passeio pela raia Portuguesa. Só ficou a faltar falar de uma das melhores experiências que vivi em Longroiva. Quem me conhece sabe como eu gosto de água, de nadar, principalmente ao ar livre. Um gosto que assume maior praticabilidade no Verão é certo. Mas calma lá que no Inverno também se arranjam experiências destas com muita pinta. Há uns tempos passeava pelo Instagram da Creative Strategist, Ana Cristina Fernandes (vejam o trabalho dela aqui) e fiquei apaixonada por uma foto de uma piscina aquecida ao ar livre, rodeada de uma paisagem maravilhosa. Durante muito tempo aquela imagem ficou a rodar em loop na minha cabeça e eu sabia que aquela piscina exterior aquecida era para mim. Na realidade foi esta mesma piscina que motivou que no início de Abril obrigasse a minha cara-metade a rumar à raia portuguesa.

 


Chegar ao Longroiva Hotel & Termal SPA, é regressar a um charme antigo, repleto de modernidade. Numa expressão diria que este é um local de: Bom gosto. Mais do que um hotel, é um local que procura proporcionar o máximo de conforto, um verdadeiro refúgio. Situado a 10 minutos do Património Mundial que é o Douro Superior, o Hotel abraça um espaço termal de excelência e abre portas através do antigo balneário termal de Longroiva. Nota-se logo a simbiose perfeita entre tradição e inovação. Os quartos são lindíssimos, cómodos, espaçosos e têm uma coisa que eu prezo acima de tudo: silêncio. As janelas luminosas, são à prova de qualquer som e proporcionam uma vista de pompa, mas sem qualquer incómodo acústico. Posso-vos dizer que as mais de oito horas dormidas neste abrigo, foram horas de qualidade. Já há muito tempo que não dormi tantas horas seguidas.
 

Apesar de ter ficado fascinada com o quarto, a piscina exterior é a grande atracção. Foram mais as pessoas que vi em roupão a passear pelos corredores, do que propriamente vestidas. O que me faz pensar que mais gente se deslocou a este hotel pelo mesmo motivo que eu. E, acreditem vale mesmo a pena. Estavam 10ºC no exterior quando me abeirei das águas “calientes” e apesar de algum receio de choque térmico, senti-me a entrar lentamente dentro de uma sopinha, de um grande calmante sensorial, de uma massagem relaxante, de um paraíso. Os 10ºC foram automaticamente esquecidos, o corpo entregou-se ao prazer de desfrutar daquelas águas maravilhosas e da paisagem vinhateira encantadora. Não é preciso muito mais para ser feliz, pois não? Se pudesse, e se o meu fim-de-semana fosse prolongado, podem crer, que já estaria a fazer as malas, (qual mala, só precisaria do meu fato-de-banho) e a rumar novamente para um mergulho quente e no exterior. Tal e qual como eu gosto. Portanto, aqui fica a solução perfeita para não se esconderem em casa, em mantas e aquecedores.





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Pão de Azeitonas Verdes e Chourição | Ou as coisas simples da vida

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Escrevo este post sentada no meu pequeno pátio. Assisto a um entardecer de sonho. O sol começa a descer muito lentamente no horizonte, arrastando uma brisa fresca, ou não estivéssemos na meia estação. Os pássaros encontram-se incrivelmente impacientes. Dizem que amanhã chove e eu pergunto-me se será por isso. Numa semana de verdadeira primavera, os marmeleiros desabrocharam,oferecendo uma contemplação sensorial. São lindas as flores de marmeleiro. Atrevo-me a dizer que são mais lindas que as flores de cerejeira. O sol já semi escondido penetra nestas árvores elevando a beleza das mesmas, como que a dar razão a esta minha avaliação.

Não há vizinhos em redor, não há carros a passar na estrada, não há civilização nesta minha meditação. Mas mesmo a mãe natureza consegue brindar-me sempre com distracções. A cãomiúda insiste que este meu momento de deleite tem de ser interrompido vezes sem conta. Também ela anda como os passarinhos. Impaciente, numa azafama entre colo, entre correrias e pedidos de atenção. Por mais que uma vez atreve-se a sentar em cima do teclado do computador. Por mais que uma vez sou obrigada a parar a descrição deste momento tão singelo. Olha-me com os seus olhinhos manipuladores. Há quem diga que são fofos. Chora devagarinho, a reclamar por atenção.
 

Ao meu redor em cima da mesa, acumulam-se disciplinas, acumulam-se trabalhos de um mestrado que parece infinito, acumulam-se significados que desconheço e que se revelam antónimos da minha vontade. Os movimentos feministas ecoam dentro da minha cabeça. Rio-me com a minha escolha. Rio-me ainda mais, como facto de ter pensado que estando na rua, ao ar livre, me seria mais fácil encontrar as palavras que necessito, ou os métodos que me fazem falta para encontrar os resultados. Antes de assentar vontades no exterior, organizei as folhas vezes sem conta, sublinhei com cores atractivas e (re)pesquisei autores. Mas depois, o exterior tem espectáculos a que é difícil resistir, tem espectáculos que me lembram piqueniques, pães de azeitona e um céu azul por cima dos meus sonhos.


A cãomiúda interrompe os meus pensamentos. Volta-se a sentar em cima da minha perfeita imperfeita organização estudantil. Acolho-a novamente no colo e mais uma vez me impossibilita de teclar, de pensar, de escrever, de me iludir. Deixo-me levar pela sua insistência. Paro tudo e, em conjunto, assistimos aos últimos minutos deste deleite campestre. Os pássaros voam estonteados, as abelhas trabalham carregadissimas, as árvores procuram desabrochar em vivacidade, as formigas andam em carreiros longuíssimos, a brisa intensifica a sua frescura. À medida que a luz diminui, os ritmos abrandam  Eu sinto uma calma a invadir-me o espírito, uma serenidade, que ultrapassa o meu peso de consciência por não ter adiantado nada. Não há remorsos possíveis, quando a decisão é aproveitar o que de melhor a mãe a natureza tem para oferecer, quando a decisão passa por aproveitar as coisas simples da vida, as mais importantes.


Pão de Azeitonas e Chourição

Ingredientes:
275g de farinha
2 colheres de sobremesa de fermento
4 ovos
10cl de óleo
20cl de vinho branco
150gr de queijo de mistura português
100gr de chourição tipo espanhol picado
200gr de azeitonas verdes descaroçadas
oregãos q.b
pimenta preta q.b
20g de margarina

Pré-aquecemos o forno a 160ºC. Numa tigela misturamos a farinha e o fermento. Formamos uma cavidade no centro e deitamos os ovos batidos. Mexemos com cuidado para evitar a formação de grumos. Adicionamos o óleo e continuamos a mexer. Vamos introduzindo o queijo cortado em cubinhos, o chourição picado, o vinho branco, as azeitonas verdes. Temperamos com os oregãos e com a pimenta. Misturamos bem.  Untamos uma forma anti-aderente de bolo inglês com capacidade de 1 litro e enchemos com a massa. Levamos a cozer ao forno durante cerca de 45 minutos. Verificamos a cozedura com a ponta de faca. Esta deve sair seca. Deixamos arrefecer antes de desenformarmos.



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Passear pelo Raia Portuguesa | Uma sugestão para conhecerem Marialva, Mêda e Longroiva

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A raia portuguesa continua a ser um dos meus destinos de eleição. Pegar no carro e dirigir-me à fronteira e deixar-me embalar pelas planícies onduladas que se escondem por entre montanhas imponentes, que vão rompendo no horizonte. Adoro a bipolaridade da mãe natureza por estas paragens. Tanto me sinto a relaxar na brisa calma que esvoaça na forragem das pastagens, como de repente me sinto a fluir abruptamente no frio rugoso e altivo dos afloramentos graníticos. Pegar no carro e trespassar as curvas de estradas perdidas entre pequenas aldeias e micro aldeias carregadinhas de história e de gentes maravilhosas, sempre prontas, entre um olhar de desconfio e uma sede de caras novas, a dar dois dedos de conversa.




Talvez esta minha paixão pela raia portuguesa seja culpa dos meus pais, que sempre insistiram a embalar-me os sonhos com quilómetros de estradas pouco monótonas. Foram tantos os piqueniques entre fronteiras, entre um Portugal que pisca o olho a Espanha e uma Espanha que tem sempre um pezinho em terras nacionais. Quando era pequena nunca chegámos a cruzar a fronteiras, mas ficávamos no limbo. Sair de Viseu em direcção a Vilar Formoso pelas estradas nacionais era sem dúvida uma aventura. Antes de conhecer Lisboa ou Porto, conheci Marialva e o seu castelo. Subi à janela da igreja junto a este monumento, num momento de atrevimento, interrompido por um grande arrependimento e um salvamento à altura. Antes do Algarve, conheci Longroiva e o seu cemitério dentro do castelo. E, claro, conheci um sentido de estranheza diferente, ou na minha cabeça não fizesse sentido juntar presenças fúnebres com uma casa de princesas. São tantas as histórias que recordo desta raia portuguesa.





No início de Abril, para celebrarmos cá em casa uma data bonita, decidi partilhar com quem me acompanha nesta aventura de vida, as minhas memórias de infância. Saímos de Viseu em direcção à fronteira. No rádio, a banda sonora era esta, e caramba como combinava com a paisagem. A primeira paragem foi junto à aldeia de Devesa, na encosta que sobe até Marialva. Deitámos pés ao caminho e agradecemos as abertas meteorológicas, que afastavam as nuvens cinzentas para diante. Percorremos parte do PR2, sempre a subir. E nem imaginam como foi bom ir parando para descobrir o que a altitude nos permitia alcançar com a vista. Se algum dia fizerem este percurso, não olhem só em frente, para o destino de chegada, permitam-se a aproveitar todo o passeio.

Marialva transporta-me sempre à ideia de aldeia parada no tempo, onde a ruralidade é rainha e senhora e onde o ritmo diário parece adequar-se à pacatez das paisagens. Nos últimos anos, Marialva tem ganho bastante destaque turístico por causa do projecto de alojamento e de turismo Casas do Coro. Um projecto que deu vida novamente a esta pequena aldeia e recuperou algumas das casas que se encontravam devolutas.

Situada a poucos minutos da cidade de Mêda, esta é uma aldeia histórica cuja origem remonta à antiga Cidade de Aravor, fundada pelos Túrdulos no séc VI a.C. Claro que fui buscar esta informação ao site das Aldeias Históricas de Portugal. Uma ferramenta que aconselho a visitarem, antes de se fazerem à estrada. Mas história à parte, Marialva consegue conquistar com a sua construção granítica e imponente, com as ruas labirínticas e estreitas. 

Não se espantem se a dada altura encontrarem cabras a comer a erva que cresce junto às muralhas, ou cães que servem de guias turísticos. Regressados ao carro, rumámos em direcção a Mêda, cidade pequena, que desconhecíamos os dois e que nos surpreendeu pelo centro histórico, pequeno é certo, mas bonito, com casas brasonadas e uma torre do relógio que se eleva acima da urbe e permite uma visão a 360º graus simplesmente maravilhosa.




O nosso destino final era Longroiva, outra das aldeias com história do concelho de Mêda e que estará sempre associada aos piqueniques familiares. A estrada curvilínea que se percorre até Longroiva, dá-nos logo a perceber que para além da fronteira entre Portugal e Espanha, estamos na fronteira entre o Planalto Beirão e o Alto Douro Vinhateiro. Começam a aparecer grandes quintas cujo vinho e azeite são os seus grandes tesouros.

Longroiva é uma pequena povoação, na qual o Castelo é o grande protagonista. Dizem (os sites mais bem informados do que eu) que este é um importante testemunho da arquitectura templária na região. É pena que depois do século XIX o interior do Castelo tenha sido transformado em cemitério. Porém, fico contente por perceber que cada vez mais se faz um trabalho de preservação deste género de monumentos. Atualmente, o Castelo de Longroiva é considerado Monumento Nacional e está protegido. Mas para além de templários, dizem também, que por estas paragens andaram romanos, visigodos e árabes. Eu percebo-os. O ar é puro e limpo, o tempo desenrola-se a um ritmo lento e as termas são perfeitas para quem quer relaxar corpo e mente. O céu nocturno ganha um estrelado difícil de descrever e sentir o silêncio a partir das 21h00, é um verdadeiro luxo. Recuperar as forças em Longroiva é fácil, deixar para traz esta tranquilidade é que pode ser mais difícil.

Se ainda não tiverem planos para o próximo fim-de-semana, atrevam-se a conhecer esta zona entre Portugal e Espanha, entre Planalto Beirão e Alto Douro, entre as planícies e as montanhas, entre a terra trabalhada e o granito mais estéril. Tenham um Bom fim-de-semana.



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Folhados de Mousse de Limão

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Os humores por estas bandas têm andado instáveis. A 'cãomiúda' tem andado eléctrica e mal disposta para com as decisões de São Pedro. Amaldiçoa cada noite em que sente no ar a possibilidade de aguaceiros, pois já sabe que na passeata nocturna terá de levar com a companhia da capa protectora que ela simplesmente odeia.

Se ela anseia por passeios desprendidos de logística, eu anseio por finais de tarde com a relva quente por debaixo dos meus pés, enquanto o espírito descarrega das rotinas diárias e quem sabe das preocupações que os últimos dias têm trazido.



Sei que nos últimos tempos tenho falado muito sobre o tempo, aquele que já olho de lado cada vez que consulto as previsões do IPMA. 'Ah e tal já chega de frio. Ah e tal chega de chuva'. Eu sei...tenho me tornado muito aborrecida com queixas frequentes. Eu sei que tudo faz parte de um ciclo, e que a mãe natureza manda muito mais que todos nós. Mas acho que começo a acusar o cansaço de morar numa casa tipicamente portuguesa.

Segundo um estudo recente, 74 por cento dos portugueses consideram que as suas casas no Inverno são frias. Dessa percentagem, 35 por cento afirma colmatar as necessidades de aquecimento usando mais roupa e mais equipamentos electrónicos. Ou seja, a maior parte acaba com problemas de saúde devido aos problemas de conformo térmico.

Isto é o que diz o estudo e eu comprovo. Ter o termostato da cozinha a marcar 5Cº ou dormir com três mantas e um edredom, não é nada simpático. Já para não falar da conta da electricidade que disparou para níveis históricos que me prometem deixar na bancarrota.


Alguém me explica porque é que a electricidade em Portugal é tão cara? Segundo este mesmo estudo, publicado em 2017, o nosso país tem a electricidade mais cara da Europa. Há aqui algo que não bate certo, certo? Os ordenados em Portugal (comparativamente com o resto da Europa) não são nada de especial, as casas apresentam mais deficiências energéticas que os outros países e mesmo assim temos a electricidade mais cara da Europa. (hmmmm.... pausa para reflexão. Acho que não é preciso dizer mais nada.)

Depois de duas contas da EDP que me deixaram os nervos em franja, tive a real noção desta fragilidade tão portuguesa. E tive a real noção de que, até São Pedro tomar outra decisão, nos próximos tempos vou virar boneco da Michelin, com quilos e quilos de roupa enfiada no lombo. Porque gastar electricidade está fora de questão. Minha querida EDP, a partir de agora, a nossa relação volta ao básico, porque achares que atenuar o desconforto térmico é um luxo, é uma divergência muito grande, quando exijo alguma qualidade de vida.







Quiçá passe a ligar o forno mais vezes, e a matar dois coelhos de uma só cajadada. Aquecer a casa e o estômago. Por exemplo, para repetir esta receita, fresca e deliciosa, que pede bom tempo, sol e contas despreocupadas.

FOLHADOS DE MOUSSE DE LIMÃO

Ingredientes
180g de queijo ricotta
5 colheres de lemon curd
1 massa folhada
1 gema
2 colhers de leite


Pré-aquecemos o forno a 180ºC. Numa taça juntamos o queijo ricotta aos poucos ao lemon curd e batemos até obtermos uma mousse leve. Estendemos a massa sobre uma folha de papel vegetal e quadrados iguais. No centro de cada quadrado deitamos uma colher bem cheia de mousse de limão. Dobramos a massa sobre o recheio formando triângulos. Fechamos bem as extremidades, apertando ligeiramente a massa com um garfo.  Pincelamos os folhados com a gema batida com as colheres de leite. Levamos ao forno entre 25 a 30 minutos. Deixamos arrefecer.


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